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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

AVE SANGRIA

“Para quem já conhece a banda Ave Sangria, sabe que estou falando de um dos grandes nomes do Rock nacional dos anos 70. Já para quem não conhece, fique sabendo que eles já foram chamados de os Stones do Nordeste. Por aí já se tem uma ideia do que estes 6 caras aprontaram na década de 70. Ainda com o nome de Tamarineira Village, com visual extravagante, letras provocantes, fazendo uma fusão de Rock com Baião, a banda chocava quem assistia seus shows. Não era comum usar cabelos compridos, não só no nordeste mas em todo Brasil, mas os integrantes da banda não estavam nem aí e procuravam cada vez mais formas de aterrorizar os coxinhas da época.

Cansados de explicar o significado do nome da banda para pessoas de fora de Pernambuco (Village era a vila onde os integrantes moravam e Tamarineira o nome do bairro assim como o nome do hospício local, logo Tamarineira Village era algo como a vila dos loucos), trocaram o nome para Ave Sangria. Já sob a nova alcunha, inventaram a história que o nome foi dado por uma cigana louca, que disse que eles eram Aves Sangrias, onde a ave representava a liberdade que eles tinham para cantar temas delicados para a época e sangria que representava o nordeste.

Depois de conquistarem o nordeste, os integrantes Marco Polo (vocal), Ivson Wanderley o Ivinho (guitarra), Paulo Raphael (guitarra), Almir de Oliveira (baixo), Agricio Noya (percussão) e Israel Semente (bateria), galgaram novos voos para o centro do país, sendo convidados pela gravadora Continental a gravarem seu disco de estreia. E assim passaram 5 dias em um estúdio no Rio de Janeiro, gravando o que seria o único registro oficial da banda até os dias atuais. Sem nunca terem pisado em um estúdio de gravação e com o agravante de terem um produtor que se perdeu no meio do turbilhão de sons que eles expeliam de seus instrumentos, o grupo conseguiu colocar no disco somente uma parte de todo o talento que os acompanhava nos palcos. Para completar a “desgraça”, a gravadora não quis pagar pela arte do disco, feita pelo artista Lailson Cavalcanti, simplesmente deram alguns trocados para alguém da própria gravadora fazer uma cópia barata da arte original.

Mesmo com todas as dificuldades, a música Seu Valdir chegou a décima primeira posição entre as mais pedidas nas rádios, muito pouco tempo depois de seu lançamento. Neste momento os ventos sopram mais uma vez contra a banda. A música, foi considerada pela censura da época como uma apologia ao homossexualismo (se isso ainda causa problemas hoje em dia, imagine em 1974?), a gravadora foi obrigada a recolher os exemplares das lojas. Algum tempo depois o disco foi relançado, já sem a faixa, mas “o tempo” da banda já tinha passado.
O disco é uma obra em sua totalidade, entre os clássicos, destaco além da já citada Seu Valdir, Geórgia a Carniceira, Dois navegantes, Corpo em Chamas a mais rocker do disco e O Pirata, clássico da psicodelia dos anos 70 no Brasil. Pouco tempo depois do lançamento, com contas para pagar e bocas para sustentar, mas sem nenhuma previsão de terem retorno do trabalho, os integrantes partiram cada um para seu lado. Boa parte foi fazer parte da banda de Alceu Valença.

Antes porem, no final do ano de 1974, no Teatro Sta. Izabel, realizaram 2 shows nos dias 28 e 29 de dezembro, não sei exatamente qual deles, mas um foi gravado em fita de rolo e hoje é possível ouvir o show até mesmo no Youtube (mas continue lendo a matéria que você saber uma novidade sobre este material).

Mas eis que o advento da internet e a redescoberta de bandas até então desconhecidas pelo grande público, resgata esta obra prima, e o disco é digitalizado e espalhado na rede por blogs especializados em música dos anos 70. Assim, em 2011, a banda é convidada a fechar o já tradicional festival Psicodália em Santa Catarina. Não sei dizer ao certo quem foi convidado da formação original para tocar, mas 2 integrantes se despuseram a descer da caatinga do nordeste brasileiro para tocar no sul do país, Marco Polo e Almir de Oliveira. Mais uma vez a banda foi traída pelo destino. Pouco antes da apresentação, Almir ficou doente e não pode viajar para o estado barriga verde, ainda sim, mandou a mulher e o neto, ambos percussionistas para tocar junto com Marco. Completando a turma estava a excelente banda Anjo Gabriel. Neste dia, este que voz escreve estava presente no show, e o que posso relatar é que foi um show de lavar a alma. Apesar de a sonoridade fugir um pouco do que foi registrado no disco, a apresentação foi maravilhosa, e pode matar a “sede” de quem não viveu o auge da banda. Recordo que em certo momento, Marco Polo comentou como era engraçado, ver aquele pessoal todo cantando músicas que foram feitas quando a maioria da plateia nem tinha nascido, com o agravante de nunca terem sido relançadas em CD, somente em formato MP3 digitalizado do disco. A banda fez quase dois shows, pois ao voltarem para o bis tocaram mais um monte de músicas. A seguir pode conferir um pouco da energia do show.

Foram lançados ainda alguns livros sobre a banda e sobre a cena musical nordestina da época, um documentário que você pode assistir no vídeo a seguir, mas o disco nunca teve a atenção que a obra merecia para ser relançado de forma digna.”

Jader Faust

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