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domingo, 23 de julho de 2017

Vamos tirar o Boldrin da gaveta!

Como empresas que são, emissoras de TV naturalmente buscam o lucro e, por essa razão, preocupam-se mais em levar ao ar produtos de fácil consumo do que em oferecer conteúdo relevante e de qualidade aos seus espectadores. Essa tendência ao fácil, consumível e descartável é cada vez mais evidente na programação dos principais canais da TV aberta, que, no geral, veiculam jornalismo sensacionalista, programas de auditório popularescos, novelas previsíveis e apelativas e músicas-chiclete de forte apelo comercial. Devido a isso, hoje eu quase não vejo a TV aberta, sobretudo havendo alternativas como o Youtube e a Netflix. Mas há um programa que me leva a parar diante da telona: o Sr. Brasil, da TV Cultura, comandado pelo caboclo Rolando Boldrin, sem dúvida um brasileiro apaixonado por seu país. Se já tinha um profundo respeito, admiração e carinho por esse ícone da música caipira, esses sentimentos só se intensificaram depois da leitura de A História de Rolando Boldrin, de Ricardo Taira e Willian Corrêa, publicado pela Editora Contexto.


O livro conta a trajetória do cidadão de São Joaquim da Barra que, ainda criança, revelava um pendor artístico. Em contrapartida, nenhuma inclinação demonstrava pelo ofício do pai, mecânico de automóveis. Boldrin foi o Boy, da dupla caipira Boy e Formiga, formada com o seu irmão, mas, quando a dupla se desfez, teve de aprender um ofício e arranjar emprego. Mas, perseverante, não demoraria para largar tudo e correr atrás do seu sonho. Praticamente sem dinheiro algum, mudou-se para São Paulo, onde dormiu na rua, trabalhou em uma fábrica de calçados, participou de diversos testes no rádio e na TV, etc. A história é fantástica e inspiradora, mas não será contada aqui. A leitura do livro é indispensável. O que quero deixar registrado são minhas impressões sobre a pessoa e o artista Rolando Boldrin. Boldrin não é apenas um artista de quem sou fã. Ele é um personagem importante da nossa cultura, que, de forma muito convicta, abraçou a missão de mostrar o Brasil aos brasileiros, de tirá-lo da gaveta, de mostrar que o Brasil não é só litoral e não é só samba. Em vez disso, Boldrin tem revelado que nosso país é riquíssimo, apesar da ingerência dos políticos e, por essa razão, convida-nos a “creditar” no Brasil, no Sr. Brasil.

Boldrin sempre amou o povo e a cultura brasileira. No início da carreira, quando fazia apresentações em cinemas, antes da exibição dos filmes, só subia ao palco se o filme fosse nacional. Quando a TV Globo apostou no seu programa Som Brasil, teve de aceitar suas condições: não poderia haver qualquer interferência. Nele seriam mostrados principalmente artistas desconhecidos, mas de grande qualidade, não havendo qualquer espaço para a música de alto consumo. Para isso, teve inclusive de “peitar” o diretor da Som Livre, que queria impor a participação de seus artistas no programa. Mas Boldrin não faz concessões: até hoje seu amigo Sérgio Reis não subiu ao palco do Sr. Brasil porque não desfaz de sua indumentária de cowboy texano. À semelhança de Ariano Suassuna, Boldrin não vê com bons olhos a descaracterização da cultura nacional, nosso desejo de nos parecermos com o americano, rejeitando nossas próprias tradições.

Além da perseverança na perseguição de seus objetivos, da defesa inabalável de suas convicções e do talento demonstrado em todas as suas investidas no mundo artístico, Rolando Boldrin é, acima de tudo, uma pessoa humilde e uma alma extremamente bondosa, dada a grandes gestos de generosidade. Mas para ter uma dimensão de tudo isso é necessário “comer” as 224 páginas de sua belíssima biografia. Bom apetite.

Sérgio Santos da Silva

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