Seja bem-vindo ao BRASIL DE DENTRO. Vamos tirar o Brasil da gaveta!

LEIA!

O BRASIL DE DENTRO é um blog que não visa lucro. Seu objetivo é apenas um: desvendar o Brasil para os brasileiros. Quer ajudar a concretização desse objetivo? Faça o seguinte: divulgue o BRASIL DE DENTRO entre seus amigos. Um grande abraço!

CAMPANHA "VAMOS TIRAR O COMPOSITOR DA GAVETA"

Ajude a preservar a memória do compositor brasileiro. Adote um álbum, e, se tiver acesso aos créditos das canções, informe, nos comentários, o título de cada canção na ordem em que aparece, seguido do nome dos compositores.

COMO BAIXAR OS ARQUIVOS DESEJADOS

Tenha certeza de que você está na página dedicada ao artista procurado, e não apenas vendo uma determinada postagem, como uma nota de atualização ou uma nota biográfica. Procure selecionar o artista clicando sobre seu nome na lista apresentada no final da página.

A página do artista apresenta a seguinte ordem: biografia, vídeos disponibilizados no Youtube e as capas dos álbuns com os respectivos links. Para baixar os álbuns, basta clicar na imagem do canário abaixo da frase "TIRE ESTE ÁLBUM DA GAVETA".

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ZÉ MODESTO

Zé Modesto, 34 anos, paulistano, formado em História pela Universidade de São Paulo atua há doze anos como professor. Entende-se melhor na vida quando umbricado em música e poesia. Amante, apreciador e estudioso da canção brasileira, tendo os choros antigos, os sambas e as serestas desde muito cedo tomado conta de seus ouvidos, soando diariamente ora do clarinete de seu pai, ora do violão tenor do velho Duca, avô querido, fazedor de quadrinhas, a quem dedicou o CD de estréia "Esteio".

É a simplicidade que Zé Modesto persegue na arte. Dessa busca vem o gosto pelos cantos de trabalho, benditos, ladainhas, capoeiras e folias. Daí o encontro com as Adélias, Guimarães e Bitucas, esteios do universo mineiro, principal manancial de sua criação, que mistura com os sambas das antigas e as tonalidades urbanas indissociáveis de sua alma paulistana.

Um vôo panorâmico sobre Esteio
por Cristiane Fernandes

ESTEIO está cheio de estórias... à maneira mineira de Guimarães Rosa, presença poética marcante, especialmente em Diadorando. Composta em tons roseanos, expressa o garimpeiro cuidadoso das palavras nos Campos Gerais da poesia. É lá que este contador de histórias e estórias busca aprumar sua vista. Além de bela paisagem para os olhos, a canção, na voz da cantora Ceumar, encanta a alma com delicadeza e suavidade. É assim, em meio a mais pura poesia, que iniciamos nossa travessia por um sertão musical que une com maestria desvãos de um chão árido e veredas límpidas, margeadas por altos buritis em busca de céu e luz.

Em ESTEIO, o sertão é vasto e sem fronteiras. Ao lado da prosa poética tipicamente mineira, encontramos também o lirismo ibérico melodioso, embalando Estrada, canção interpretada pela cantora Anunciação. O tempo bom de colheita cantado em Estrada, em nada destoa do tempo de lamentos, cantado em Deserto, por Renato Braz, vencedor do último Prêmio Visa, versão cantores. A textura grave da voz irretocável de Renato e a melodia incidental Cantemos a Jesus, de tradição popular católica, tornam macia a caminhada deserto adentro.

Em seu profundo mergulho no interior do sertão humano, Zé Modesto colhe luz e breu e transforma um e outro em poesia. Não são apenas estórias a habitar Esteio. A estrada aqui é iluminada também por Estrelas, samba-canção composta a partir de um poema de Ernesto Cardenal, poeta nicaraguense. Com Estrelas, passamos da poeira do sertão à poeira dos Cânticos Cósmicos, dos morros das gerais aos morros cariocas.

O samba de raiz dos mestres Elton Medeiros e Paulinho da Viola, sopra seus ventos em Do Amor, com predominância da poesia metalingüística. Zé Modesto propõe-nos uma reflexão sobre a arte que ordena o caos profundo da existência e também sobre o amor guardado na memória retinta das cores. E já que estamos falando de amor, deitemos olhos e ouvidos sobre Prece, interpretada por Dalci, cantor e compositor de extrema sensibilidade e requinte musical. A reiteração melódica e poética da canção insere-nos em outros espaços. Em Prece, somos levados aos vãos dos degredos e, desorientados, navegamos por leitos densos. A interpretação deste novo cantor convida-nos à rara possibilidade de reverenciar o silêncio, condição indispensável para fazer brotar essências. Este tom reflexivo aprofunda-se ainda em Calendário, parceria com o ator e poeta Gero Camilo e em O ciclo da lua cujo arranjo de Chico Saraiva (vencedor do último Prêmio Visa, versão compositores) e o veludo da voz de Juçara Marçal dialogam de forma ímpar.

Finalizando o cd, temos o lado eclético do compositor na variedade rítmica. O anel do cirandeiro é um xote que conta com a participação especial de Lula Alencar na sanfona, com a vivaz interpretação de Marcelo Pretto, do grupo A Barca, e de Ana Leite, cantora que alia a técnica vocal à espiritualidade própria da música popular brasileira. Tem jeito não, uma rumba-brasileira iluminada pelo trombone de Alê Arruda, trata com leveza e ironia temas contemporâneos, abrindo caminho, com seu humor irreverente, à linguagem lúdica de Camisa Vermelha, abrilhantada pelas sutilezas da interpretação do cantor Rubi. “Desilhados” e em companhia de um lalaiá entoado em coro, finalizamos o cd com o que na verdade é o início de um sorriso aberto, daqueles raros.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Topo da Página ↑