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domingo, 4 de novembro de 2012

SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE

O Samba de Coco Raízes de Arcoverde mantém a tradição do coco na forma mais pura e original. Com influência das culturas negra e indígena, o grupo representa o amor pelas raízes culturais entre duas famílias, pois para os Gomes e os Calixto, o samba de coco é mais do que música, é um modo de vida.

Era 1916 quando as tataravós das irmãs Lopes começaram a cantar e dançar o samba de coco em Arcoverde, cidade chamada de Portal do Sertão. Em 1947, a família foi morar no Cruzeiro, bairro simples de Arcoverde, onde surgiu o Samba de Coco das Irmãs Lopes de Arcoverde. Dona Joventina Lopes e seus 15 filhos deram início a essa tradição na cidade, e em meados dos anos 50, Ivo Lopes, um dos filhos de Joventina, assumiu a linha de frente do grupo, junto às irmãs. Posteriormente o Mestre Biu Neguinho, Tonho Moura, Zé Feitosa, Romeiro, Cícero Gomes e outros amigos se juntaram ao grupo. Ivo Lopes faleceu e suas irmãs, as Irmãs Lopes (também membros da família Gomes) deram continuidade ao samba de coco, dando origem em 1992, junto à família Calixto, ao Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

Os irmãos Calixto, Luiz (Lula), Damião e Francisco (Assis), nascidos em Sertânia, no sertão pernambucano, chegaram em Arcoverde por volta de 1952. Assis Calixto (foto), um dos principais autores das loas (músicas) do grupo, já possua uma vivência com o coco alagoano e maranhense, por ter tido contato com alguns cantores. O irmão Lula Calixto foi quem criou o trupé, um tamanco de madeira que serviu para dar força às pisadas do samba de coco, característica do Samba de Coco Raízes de Arcoverde. Cícero Gomes, que começou com as Irmãs Lopes, explica que no início só existia o ganzá, e que nos anos 1970 foram introduzidos o pandeiro, o surdo e o triângulo. Antes de o trupé ser inventado, o que se dançava era um samba de coco com pisada menos rápida, chamado por eles de Mazurca.

A Mazurca antecedeu o ritmo acelerado do trupé, e assim como o samba de coco feito com roda, aquele conhecido por Selma do Coco por exemplo, difere muito do coco feito pelo Raízes de Arcoverde. Vejamos os porquês: antes do trupé, o ritmo era tocado basicamente pelo ganzá, e antes disso, era tocado com um maracá, o que explica sua origem indígena. No litoral, sempre se usou mais tambores e congas, além da zabumba, numa dança mais solta e com menos pisada. Para a sonoridade de tambor, o Samba de Coco Raízes de Arcoverde usa um bombo e, de maneira autoral, o trupé. Este instrumento foi para eles uma evolução do ritmo, sendo o diferencial do coco feito pelo grupo – o pandeiro é então usado de maneira menos acelerada, com marcação feita pelo trupé e triângulo, e com a resposta (coro feminino).

O xaxado, o samba de roda e ritmos indígenas são fortes influências no coco feito pelo grupo. As letras compostas por Assis, Damião e pelo falecido Lula Calixto, além de Cícero Gomes, são um retrato da vida simples do povo sertanejo, cantando os animais, a natureza, a alegria ou os sofrimentos, o amor e a religiosidade do povo simples, trazendo muitas lembranças de vida. Também há duas categorias de dança no Samba de Coco Raízes de Arcoverde: o coco trocado, quando se dança em parelha de mãos dadas, indo para um lado diferente do acompanhante, e o coco de lenço, onde cada parceiro segura um lenço, fazendo os mesmo movimentos da outra categoria.

Apesar de ter surgido em 1992, nessa época ainda junto às irmãs Lopes, que hoje fazem trabalho separadamente, o Samba de Coco Raízes de Arcoverde só ficou conhecido em 1996, quando começou a viajar para fazer apresentações. O grupo já viajou para Bélgica, França, Itália, além de várias cidades brasileiras. Em 2005, a caravana foi selecionada no projeto Rumos da Música, do Itaú Cultural, que dá espaço para a produção contemporânea de arte e cultura do Brasil.

Em 1999, Lula Calixto falece, aos 57 anos. Todos os anos a família recebe amigos e visitantes para comemorar o aniversário do mestre, no mês de Novembro, o que originou em 2005 o Festival Lula Calixto. A primeira edição do festival ocorreu em frente à casa da família, sem patrocínios, com a presença das Irmãs Lopes, Grupo Afoxé Oyá Alaxé, entre outros. Atualmente, o evento ganhou grande repercussão e passou a ser um evento importante na cidade de Arcoverde, com oficinas, palestras, palcos para apresentações de grupos e artistas de várias regiões.

O grupo tem 3 CDs gravados. O primeiro “Samba de Coco Raízes de Arcoverde”, lançado em 2000, tem 12 faixas, entre os sucessos Seu Maia, Loruá, Acorda Criança e A Caravana não morreu. O segundo CD, intitulado “Godê Pavão”, de 2003, possui 15 faixas, entre elas: Abelha Aripuá, Galinha Zabelê e Despedida de amor.  Em 2010, com a contemplação do Prêmio Circuito Funarte de Música Popular, pela Funarte e Ministério da Cultura, o grupo lançou “A caravana não morreu”, com 12 faixas.

A casa de Lula Calixto hoje é a sede do grupo e pequeno museu do Samba de Coco Raízes de Arcoverde. Damião Calixto e Assis Calixto estão à frente do Samba de Coco Raízes de Arcoverde, junto aos filhos, irmãos e sobrinhos, preservando o ritmo e a poesia do coco de trupé.


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