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quinta-feira, 18 de julho de 2013

ZABÉ DA LOCA

Eduardo Vessoni

Aos 87 anos, Zabé da Loca parece ter vindo ao mundo inclinada a se opor a ordens impostas. É do agreste pernambucano, mas os duros anos sobre os solos áridos do Cariri lhe ensinaram a ser paraibana; tem idade avançada, mas ainda fuma cigarros caseiros enrolados por ela mesma; ganhou do governo uma casa simples e espaçosa, mas a alma ainda não conseguiu esquecer a colina íngreme que fica a poucos metros da atual residência. É ali que fica a rocha onde Zabé da Loca morou com os filhos durante 25 anos.

Conhecida como a Rainha do Pífano, Zabé, de estrutura frágil e humor afiado, começou a carreira há oito anos, quando foi descoberta por funcionários do Ministério do Desenvolvimento Agrário que estavam na região envolvidos em um projeto social com famílias agricultoras do semi-árido nordestino. Ela tinha 79 anos e chamou a atenção, pois sua casa era o interior de uma rocha localizada no alto de um morro íngreme.

Entre aquelas pedras, seus filhos levantaram paredes de taipa, com direito a porta e janelas, após perderem uma casa próxima dali, consumida pelo tempo. Sem ter onde morar, decidiu carregar seus filhos para dentro das duas rochas paralelas e de lá só saiu duas décadas e meia depois.

Essa tocadora de 'pife', como o instrumento é conhecido popularmente, aprendeu a arte com o irmão, aos 7 anos, e desde 2003 já se apresentou em diversas capitais brasileiras.

Zabé é famosa, mas não saiu do seu lugar e leva a vida com uma simplicidade única que só quem já esteve naqueles territórios áridos consegue compreender. O pífano, flauta rústica, é a sua principal conexão com o resto do mundo. Há 6 anos ganhou uma casa do Incra, pintada de azul e com um banquinho de frente para a estrada de terra onde Zabé relembra, nostálgica, os anos em que esteve naquele pedaço improvisado no alto da serra.

“O melhor é morar no mundo pedra, mas para fazer show eu desço a serra”, conta Zabé, referindo-se à época em que saía da antiga residência mais vezes para se apresentar em outras cidades. “Eu moro aqui, mas não eu gosto. Eu sou filha de mocó”, descreve Zabé fazendo referência a esse roedor típico das áreas rochosas da caatinga.

A musicista tem uma disposição física impensável para pessoas de sua idade, mas a saúde agravada pelo passado de vícios como o cigarro e o álcool já não permite que Zabé aceite o convite de voltar a visitar a loca, como é chamada a gruta.

Ela gosta mesmo é de fazer shows. Já foi para tantos lugares que nem sabe mais qual foi o melhor. “Qualquer canto é canto. Eu sou de todo lugar”, explica Zabé. Com esse desprendimento, acumula na bagagem a gravação de três álbuns, um prêmio de Revelação da Música Popular Brasileira na 22a edição do evento -- no qual dividiu o palco com Lenine e Chico César --, além de emprestar seu nome artístico para um festival de cultura popular de Monteiro, que em 2011 reuniu no mesmo palco a própria Zabé e as Ceguinhas de Campina Grande, outras figuras paraibanas famosas.

Zabé ama música e não tem preferência por estilo. “Tudo eu acho bom”, conta a autora dos trabalhos “Da Idade da Pedra” (1997), “Canto do Semi Árido” (2004) e “Bom Todo” (2008). Seu som inconfundível e seu humor inteligente colocou a pequena Monteiro, município com 100 comunidades rurais a 300 km da capital João Pessoa, no mapa da música popular, e Zabé se tornou uma das principais  atrações da região.

A tocadora de pífano parece disposta a tirar o melhor proveito da vida e, assim como a letra de uma das canções de seu último CD, "Bom Todo", saiu de casa 'pra beber água no mundo' e, quando se deu conta, 'tinha um mundo para nadar'. “Daqui eu só saio quando Deus quiser”, diz Zabé.


Um comentário:

  1. Parabéns pelo post! Mulher e música incrível! E um viva a nossa cultura nordestina/brasileira!

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