Excetuando as porcarias que
nos são impingidas pela ficção televisiva de certas estações, poderemos
concluir que a música portuguesa está a melhorar e a crescer a muitos níveis
nos últimos dois pares de anos. Também a música em língua portuguesa tem
originado projetos surpreendentes, arrojados e inovadores. Obrigado aos novos
compositores, às produtoras e editoras, e claro, às estações de rádio pela
excelência, aposta e divulgação da nova música portuguesa.
Entre os surpreendentes novos
projetos encontram-se os Rosa Negra, com o seu primeiro trabalho “Fado Ladino”.
Sendo a alma fadista ponto de partida para tão arriscada aventura, imagine-se
uma caravela, cuja tripulação é composta por percussão, violinos, violas,
violoncelo, contrabaixo, acordeão, trompete e piano, viajando pelo Mediterrâneo
onde em cada paragem absorve elementos da cultura musical de cada país costeiro
espalhado pela África Setentrional e pelo Médio Oriente. Tudo isso aliado ao
doce timbre de Carmo, voz do fado, voz do destino, palavras que podemos encarar
com respeito, mas também com liberdade, a liberdade de encontrá-los à nossa
maneira. E os Rosa Negra conseguem dar liberdade ao fado envolvendo-o em
arranjos de inspiração mediterrânica, desértica e ibérica, atribuindo-lhe uma
estética musical muito própria.