Seja bem-vindo ao BRASIL DE DENTRO. Vamos tirar o Brasil da gaveta!

Playlist - Nordeste independente

LEIA!

O BRASIL DE DENTRO é um blog que não visa lucro. Seu objetivo é apenas um: desvendar o Brasil para os brasileiros. Quer ajudar a concretização desse objetivo? Faça o seguinte: divulgue o BRASIL DE DENTRO entre seus amigos. Um grande abraço!

COMO BAIXAR OS ARQUIVOS DESEJADOS

Tenha certeza de que você está na página dedicada ao artista procurado, e não apenas vendo uma determinada postagem, como uma nota de atualização ou uma nota biográfica. Procure selecionar o artista clicando sobre seu nome na lista apresentada no final da página.

A página do artista apresenta a seguinte ordem: biografia, vídeos disponibilizados no Youtube e as capas dos álbuns com os respectivos links. Para baixar os álbuns, basta clicar na imagem do canário abaixo da frase "TIRE ESTE ÁLBUM DA GAVETA".

quarta-feira, 27 de maio de 2020

MONGOL


Mongol nasceu Arlindo Carlos Silva da Paixão no ano de 1957 na atual Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em Laranjeiras. Seus pais e avós (mulheres) materna e paterna nessa época moravam num cortiço na Rua Grajaú n° 36, onde o garoto foi criado. Aos 6 anos de idade, sua avó paterna (Isabel) o levou a tira colo para um serviço de diarista que realizava na casa de um pediatra (Dr.  Jaguaribe). Ao ver a criança, o médico constatou uma puberdade precoce anormal para um menino. O doutor se dispôs a acompanhar o crescimento do garoto, o que imediatamente foi aceito por dona Isabel. Mongol foi acompanhado por uma equipe médica (incluindo psicólogo) durante sua infância. A puberdade precoce causou um crescimento físico e psicológico bem mais rápido do que as outras crianças. Na escola primária onde as crianças se enfileiravam por tamanho antes de entrar em sala, Mongol era o último da fila, por ser o mais alto. Todos acreditavam que aquele menino seria gigante. Até então o apelido Mongol não existia, os amigos só conheciam o Arlindo. Por ser grande e conviver com crianças menores, o aluno evitava o sarro (hoje chamado bullying) nos colegas de turma, pois os maiores tinham medo dele.


Aos 10 anos de idade entra para o time de futebol de salão do Grajaú Tênis Clube. Seu tamanho dava-lhe vantagem sobre os outros meninos. Nessa época havia dois apelidos no futebol para esse tipo de criança: o primeiro era gato (aquele que falsifica a certidão de nascimento para jogar em categorias inferiores), como o atleta não se enquadrava nesse modo, foi lhe dado o segundo apelido, mongol, que se referia ao povo bárbaro muito difundido nos filmes da época (Hércules Contra os Mongóis, Gengis Khan), caracterizado pelo tamanho e força. Mongol também eram chamadas as crianças com a Síndrome de Down e isso não afetava o garoto, pois devido ao seu tamanho fora do comum, como foi dito antes, eram raros os meninos que se atreviam a fazer bullying com o pequeno grande pseudo capoeirista. Sim, tinha esse detalhe, Mongol, que assumiu o apelido, jogava capoeira com os baianos do cortiço, mas a ele só interessava os paços e a música, mais do que os golpes. Os capoeiras eram temidos e os meninos do cortiço também. O capitão do time de futebol de salão nessa época chamava-se Oswaldo Montenegro. Oswaldo e Mongol gostavam de música e logo passaram a frequentar rodadas musicais. As ruas do Grajaú ficaram pequenas para os dois garotos que andavam sempre juntos, onde viveram literalmente grandes aventuras.

Aos 12 anos de idade, o acompanhamento médico (com medicação inclusive) foi suspenso, pois o desenvolvimento havia se estabilizado. O crescimento já não era mais anormal e os hormônios estavam controlados. Os amigos então foram crescendo e a maioria ficou mais alta que Mongol, que ainda assim quis levar o apelido, agora guardando a pureza das crianças com a Síndrome de Down. As composições com Oswaldo Montenegro vieram na adolescência e foram tantas que algumas se perderam na memória, mas volta e meia eles resgatam alguma.

Em 1977, influenciado pelo pioneirismo de Antônio Adolfo, Oswaldo grava seu primeiro disco independente, e lá estavam as parcerias com Mongol. Em 1979 a Warner lança o primeiro disco de Oswaldo Montenegro – Poeta Maldito e lá no final como uma espécie de amuleto estava uma parceria da dupla fechando o LP. Em 1980 Oswaldo defende a canção Agonia de Mongol, no festival MPB 80 da TV Globo. A música sai vencedora fundindo definitivamente a carreira musical desses dois artistas. Isso tendo o fato de que no mesmo ano a canção Aquela Coisa Toda também composta por Mongol entra na trilha sonora da novela Marina da mesma Rede Globo.

A Warner então, convida Mongol para fazer um disco. Recém acostumado com o sucesso, o artista não entendeu a importância de gravar um disco, já que não tinha planos de ser cantor. O trabalho se resumiu a um compacto e não teve sequência. Perguntado sobre que música foi gravada, Mongol diz que lembra vagamente que uma delas falava de signo, já que o assunto era comentado entre os dois compositores, pois Oswaldo pensava em compor inspirado no zodíaco, a outra era a canção Atalho que participou do festival seguinte da TV Globo (MPB Shell). O trabalho na Warner não foi pra frente. Somente em 1985, com a participação no Festival dos Festivais vencido por Tetê Espíndola, Mongol se aventurou como cantor com a composição de sua autoria chamada Meu Bons Amigos. Gravou um disco independente que logo foi distribuído pela Som Livre. Ainda nessa época recebe o registro profissional de ator e passa a atuar em espetáculos musicais de Antônio Adolfo, Oswaldo Montenegro, Atilio Riccó, sem nunca abandonar a parceria musical com seu amigo de infância. Ainda nos anos 80, Mongol passa a escrever seus próprios roteiros, onde faz muito sucesso em casas noturnas cantando e contando histórias de humor. Mongol escreve Herrar é Umano e logo a seguir Tudo Bem Eu Canto Agonia. As histórias e canções que permeavam esses espetáculos emocionavam e divertiam o público.

Na década de 90 Mongol experimenta três acontecimentos marcantes: o nascimento de seus três filhos (Igor, Rana e Ian) com a atriz e produtora cultural Deborah Turturro, com quem vive há mais de 30 anos. A seguir, com os músicos Tom Capone, Mário Moura, Mauro Manzolli e André Rafael, Mongol criou a banda Rotnitxe, que é a palavra extintor ao contrário. Inspirados na audácia de Elimar Santos, lotaram a casa de espetáculo Canecão para mostrar suas músicas. O Rotnitxe, que era uma mistura do rock alternativo de Seattle (grunge) com a MPB, acabou sendo contratado pelo selo MZA Music de Marco Mazzola e distribuído pela Warner Music. O CD contava com as participações de Martinho da Vila, Armando Marçal regendo a bateria da Mangueira.

Ainda na década de 90, Mongol criou a banda Akundum, que misturava reggae com a MPB. O CD vendeu mais de 150 mil cópias pela MZA (distribuído pela Universal), rendendo-lhe um disco de ouro. O hit Emaconhada puxou o sucesso do CD. Na sua sequência o Akundum gravou com a participação da banda Inner Circle na música Qualé. Foram mais de 100 shows pelo Brasil até a entrada do ano 2000.

Mongol passa a estudar roteiro cinematográfico. Participou de vários cursos e oficinas e em 2013 foi premiado no Primeiro Concurso Nacional de Roteiros realizado pelo dramaturgo Aguinaldo Silva. No concurso, onde se inscreveram mais de 400 roteiristas, Mongol fica entre os 5 primeiros com o roteiro audiovisual-musical Cortiço Brasil. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Topo da Página ↑