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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

NILSON RIBEIRO

A origem interiorana natural de Sorocaba - SP, o coração mineiro e a alma universal. Os ingredientes vão se mesclando a uma sonoridade valorizada pelos detalhes dos arranjos. O primeiro CD do compositor Nilson Ribeiro traz sabores vários da matriz musical da raiz da MPB. Desde a sonoridade inconfundível da viola caipira, magicamente orquestrada por Ivan Vilela, à surpresa oriental da tabla, um instrumento de percussão que inesperadamente compassa a última canção do CD. "Ninho das Coisas", portanto, é um título mais que sugestivo para esse primeiro trabalho, onde elementos quase esquecidos da nova MPB são muito bem valorizados. Assim, as letras carregam o ritmo natural da poesia quase cabocla das canções, com ritmo próprio. As melodias, quase sempre simples e fáceis, são moduladas por ritmos que passeiam das velhas cantigas de ninar ao inconfundível xote, passando por valsinhas e baladas, mas sem perder o tom urbano, como no caso da canção Sangra São Paulo, um retrato poético, mostrando outra cidade que se esconde por trás do caos metropolitano. Ninho das coisas tem a mão de Sérgio Turcão na direção musical e arranjos, garantindo uma brasilidade em doses corretas dos instrumentos acústicos.

O trabalho é todo acústico. Dos violões às flautas, dos bandolins ao piano, os lamentos das cordas do cello e do violino e até mesmo o contrabaixo. Todos acústicos, dando ao clima das canções um ambiente intimista, quase individualista, capaz de tocar os sentimentos e emocionar.

Por isso, as 14 canções têm uma identidade entre si, seja pela sonoridade acústica, pela linha melódica ou pelo estilo das letras, que mergulham nas lembranças do compositor, em "Velhos Retratos", divertem com paixão, como em "Mel e Limão" e "As três mais belas", mostram a mineirice de suas influências, como em "Mariana" e "Confidências Mineiras" ou simplesmente exploram o universo lúdico, como em "Lua no Ar" (com participação luxuosa de Gabriel Lima, de apenas 6 anos), "Raphaela", "Estrela que eu nem mereço" ou "Fantasia". É, em última análise, um CD para se ouvir com atenção, para poder saborear todos os tons, as particularidades de cada arranjo e se enternecer com as poesias.

Nilson Ribeiro tem formação jornalística. Venceu vários festivais universitários na década de 80 e é figura fácil nos palcos dos bares de Campinas e Sorocaba. Foi no ano de 1999, contudo, que decidiu investir definitivamente na carreira artística. O CD "Ninho das Coisas" é uma produção totalmente independente, gravada sob o selo da Carambola Discos, que foi responsável pela produção artística.

Apesar de ser o primeiro trabalho do compositor, mostra uma maturidade adquirida em muitos anos de estrada musical, uma seleção feita entre mais de uma centena de composições até então engavetadas. Foi o próprio Sérgio Turcão (ex-Tarancón, atualmente realizando apresentações com Jica) um dos grandes incentivadores para a gravação do CD. "O trabalho conta uma história, transpassada pelas músicas, cuja identidade é logo e facilmente identificada. É algo de novo na MPB, diferente da regionalidade de Renato Teixeira ou Almir Sater, mas que esbarra nas mesmas influências", diz Turcão.

O compositor Nilson Ribeiro já foi repórter e editor nos dois jornais de Campinas. É premiado também pelo Concurso de Poesia de Piracicaba e tem alguns outros trabalhos publicados em jornais e revistas. "Até 1999 eu fazia da música uma diversão. Então, decidi me divertir com o trabalho e mergulhei de cabeça nessa produção. O resultado me satisfaz muito, principalmente pelo clima que foi conseguido pelo Turcão nos arranjos", diz o compositor.

Nilson Ribeiro acredita que ainda há espaço para o que ele considera a "boa MPB". "Apesar da insistência da mídia, em geral, valorizar o que há hoje de mais pobre na nossa produção musical, ainda existem alguns redutos de boa música, rádios que mostram que é possível manter a relação entre o comercial e o artístico, sem apelar para a baixaria. Alguns programas de TV ainda arriscam mostrar artistas brasileiros com verdadeiro talento. E nomes como Chico César, Zeca Baleiro, Guinga, Celso Viáfora e outros vão ganhando seu merecido espaço entre um ou outro tcham da vida", diz ele. 



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